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Transição capilar: o resgate da identidade e da beleza dos fios originais

Camila de Luca, Taís Araújo e Whinderson Nunes optaram pela transição capilar


Nos últimos tempos, cada vez mais mulheres optam por passar pela transição capilar, que nada mais é do que resgatar a textura original dos fios. O desejo de abandonar as químicas transformadoras como alisamento, relaxamento e a famosa progressiva, para assumir a beleza natural do cabelo, cresce a cada dia. É um processo em que a pessoa deixa de usar métodos artificiais para alisar o cabelo e aceita a forma natural, seja o cacheado, ondulado ou crespo.


Esse movimento da transição ganhou ainda mais força quando artistas e famosos passaram a divulgar que estavam passando pelo processo. No BBB 21, a influencer Camila de Luca deu uma aula sobre isso e, recentemente, falou sobre o assunto de forma contundente, incentivando muitas mulheres a seguirem com coragem por esse caminho. Outra que dia desses também tocou no tema foi a atriz Taís Araújo. “Força meninas! Transição capilar vale a pena!”, escreveu a estrela em uma postagem no Instagram.


E quem pensa que a transição é algo só do universo feminino está bem enganado. O Youtuber Whinderson Nunes também entrou nessa e compartilhou o processo com seus seguidores. “Leãozinho! Oito meses sem química na juba!”, escreveu ele.


Especialista com a palavra

Mas a transição, muitas vezes, gera insegurança e inúmeros questionamentos: qual a melhor forma de fazer ou que profissional procurar? E os produtos a utilizar? Quanto tempo demora e será que vou conseguir passar por esse processo?


Para a Dra. Luciana Passoni, médica tricologista o ideal, realmente, é deixar os cabelos crescerem, sem nenhuma interferência, por um período mínimo de 4 meses. “O importante é a pessoa ter autonomia e fazer aquilo que se sinta bem. Ela deve se aceitar primeiro, sem precisar responder aos padrões de beleza impostos pela sociedade”, pontua Dra. Luciana que também faz um alerta importante: “Não basta a vontade de resgatar o cabelo natural para passar pela transição capilar. É preciso ter plena consciência de que será uma longa fase que, em alguns casos, pode levar anos.”


Acredita-se que essa tendência de retomar os fios naturais pode ser resultado de um desejo de resgate do passado da pessoa, simbolizado, nesse caso, pela volta do cabelo original. Mas a médica dá mais um conselho, principalmente para as mulheres, sempre tão cobradas na questão da aparência: ninguém deve optar pela transição (ou alisamento) apenas para acompanhar uma tendência!


Saúde e empoderamento

Em algumas situações (nunca generalizando), ao optar pela transição podemos considerar um ato de empoderamento. Isso quando esse desejo parte da mulher e reflete a vontade de se reencontrar. Empoderar-se é, muitas vezes, transgredir e se superar. É não viver atrelada a padrões estéticos ou submeter-se às imposições. É a sensação de pertencimento de si, de desenvolver autoconhecimento, autoestima, além, claro, de trazer muitos benefícios à saúde da fibra capilar.


Ao iniciar a transição capilar é importante que a paciente procure profissionais de sua confiança para acompanhá-la nesse longo processo. Um dermatologista capilar sempre orientará os produtos certos a serem usados para cada tipo de cabelo, evitando assim futuros problemas, como queda e perda da força dos fios.


De acordo com a especialista é muito importante a elaboração, junto com o paciente, de um cronograma capilar. “Isso consiste em reconstruir, nutrir e hidratar os fios de acordo com tipo de cabelo específico. Também é muito importante cuidar da alimentação, se necessário fazer uma dieta suplementar e estar com o organismo sempre hidratado (muita água!). Além disso, é preciso ressaltar que o couro cabeludo deve ser cuidado e tratado durante todo o processo da transição”, explica a doutora Luciana, completando que “o couro cabeludo é a base de tudo, a peça-chave para o crescimento de fios saudáveis.”


Pessoas certas

Outro ponto de extrema importância no processo de transição é o acompanhamento de um cabelereiro especialista em cachos/crespos. Isso possibilitará a identificação melhor dos tipos de cabelos, que são divididos em categorias conforme o grau de curvatura: ondulados, cacheados e variações de crespos.

Esse profissional orientará a frequência certa para a pessoa voltar ao salão e fazer tratamentos (cronograma capilar) que ajudem a deixar os fios saudáveis durante a adaptação. “Isso é essencial para garantir cabelos bonitos e macios durante todo o processo”, alerta Luciana.


Quando hidratar e nutrir?

A doutora Luciana pontua que a hidratação é responsável pela maleabilidade, maciez e sedosidade dos cabelos. As principais características da desidratação incluem: falta de maciez, brilho e movimento. Os fios tornam-se pesados, embaraçados e com aspecto ressecado.


Vale lembrar ainda que cabelos cacheados e crespos são, naturalmente, mais ressecados, porque não conseguem levar a oleosidade natural do couro cabeludo até as pontas. Por essa razão uma nutrição bem feita é a responsável pelo brilho, definição e corpo aos fios. O alerta de que o cabelo precisa ser nutrido é quando ele apresenta volume excessivo, pouca definição dos cachos, frizz e pouco brilho.


A médica tricologista explica que os cosméticos destinados aos protocolos capilares para nutrição e hidratação contêm diferentes substâncias em suas fórmulas, e cada uma delas tem uma função específica. Entre os ativos mais utilizados nas formulações estão os silicones, óleos vegetais (macadâmia, coco, argan, jojoba, copaíba e oliva), colágeno, multivitaminas (A, E, F), aminoácidos (queratina, elastina, arginina, seda) e os filtros solares. São potentes hidratantes: pantenol, ceramidas, manteiga de karitê e aloe vera.


Mas atenção! A indicação dos produtos deve acontecer de acordo com a necessidade dos cabelos, sendo sempre importante a avaliação profissional.

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