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São Caetano faz a primeira cirurgia de retirada de bexiga por via laparoscópica do ABC


A Prefeitura de São Caetano do Sul realizou, em maio, a primeira cistectomia com reconstrução laparoscópica da rede pública do Grande ABC. A cirurgia de remoção e reconstrução da bexiga foi realizada pela equipe do médico Marcello Machado Gava, coordenador do serviço de Urologia do município.

“A Saúde de São Caetano investe cada vez mais em equipamentos e equipes médicas que permitem a realização de procedimentos cada vez menos invasivos, aumentando a segurança dos nossos pacientes e reduzindo o tempo de internação. O sucesso da cirurgia realizada por nossa equipe de urologia mostra que nosso município continua sendo vanguarda na execução de cirurgias de média e alta complexidade”, destacou a secretária de Saúde, Regina Maura Zetone.

“Estou bem, graças a Deus e a esses médicos maravilhosos que entraram no meu caminho. São anjos enviados por Deus”, diz Maria Elenilda Silva, 57 anos, diarista e moradora do Bairro Prosperidade. Ela foi a primeira paciente operada na cidade e, agora, realiza fisioterapia para a recuperação das funções da bexiga reconstruída.


“No final de 2018 eu comecei a fazer um tratamento para infecção de urina. Mas a infecção nunca sarava. Eu tomava antibiótico e a infecção voltava de novo”, lembra. Preocupada, Maria Elenilda fez uma ultrassonografia, que mostrou duas pequenas lesões na bexiga. Era câncer. Na época, ela se tratava em outra cidade do ABC, onde residiam as filhas. Teve indicação para fazer um tratamento que consistia numa “raspagem” da bexiga para eliminação dos tumores. Mas passaram-se 19 meses sem que ela fosse chamada para o procedimento pelo serviço de saúde da cidade.

“Eu sofria muito. Ficava inchada, sangrava, sentia muita dor. Um dia, eu estava muito mal e procurei o PS de São Caetano, onde moro com meus pais. Do pronto-socorro fui encaminhada à UBS e, depois, ao Maria Braido, onde passei com especialista. Foi em São Caetano que eu consegui ser tratada”.

A equipe de urologia encaminhou a paciente ao “Cabem mais Vidas”, um projeto para pesquisa e tratamento do câncer de bexiga, vinculado à disciplina de Urologia do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). “O Cabem centraliza as condutas auxiliando na elaboração do cronograma de tratamento e os municípios mantêm o atendimento e procedimentos para condução dos pacientes. Nós, da equipe de urologia de São Caetano, somos todos ligados à FMABC. Com isso, embora se trate de um câncer letal, agressivo e de difícil tratamento, conseguimos reduzir de forma importante a taxa de mortalidade dos pacientes”, explicou o coordenador do serviço de Urologia do município, Marcello Machado Gava.

Maria Elenilda recebeu um tratamento conjunto do Cabem e da Prefeitura de São Caetano. “Toda a parte cirúrgica, de quimioterapia e os demais procedimentos são feitos em São Caetano. E, em cirurgias complexas, como esse caso, temos o apoio da equipe do Cabem”, explicou o médico.

“Fiz oito sessões de quimio no Centro Oncológico, a pandemia não atrapalhou meu tratamento”, conta Maria Elenilda. Após as sessões de quimioterapia, foi feita a cirurgia: uma cistectomia radical laparoscópica neobexiga intracorpórea, cirurgia de grandes dimensões que consiste na retirada total da bexiga quando esta é acometida por câncer infiltrativo, que é o segundo tumor mais frequente do aparelho urinário.

A técnica, realizada pela primeira vez em hospital público do Grande ABC, envolveu uma equipe de seis cirurgiões: Marcello Machado Gava, coordenador do serviço de Urologia do município; Fernando Korkes, coordenador do Cabem; José Henrique Santiago; Artur Farías; Frederico Timoteo; Matheus Pascotto e Alexandre Hidaka. “Também recebemos apoio do médico americano Peter Wiklund, que desenvolveu a técnica, por meio de uma teleconsulta. Houve uma complicação pós-operatório e ele nos ajudou a resolver”, ressaltou Gava.

“A experiência foi magnífica; foi oferecido à paciente um tratamento que é realizado nos maiores centros do mundo. E em poucos centros! É muito satisfatório conseguirmos oferecer algo assim”, comemorou o médico. Maria Elenilda também está feliz e grata. “Tive medo do tratamento não chegar a tempo. Hoje estou bem. Quero voltar a trabalhar e aproveitar muito a vida”.


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